
Cartografias Mentais 2025, acrílico s/ tela, 100x140cm. Colecção Privada

(Pormenor) Cartografias Mentais 2025, acrílico s/ tela, 100x140cm. Colecção Privada

(Pormenor) Cartografias Mentais 2025, acrílico s/ tela, 100x140cm. Colecção Privada

(Pormenor) Cartografias Mentais 2025, acrílico s/ tela, 100×140 cm. Colecção Privada
Cartografias Mentais 2025
Este trabalho foi desenvolvido sob encomenda de um Gabinete de Arquitectura do Porto, para fazer parte de um projecto de Arquitectura de Interiores.
O desafio lançado, foi desenvolver uma obra, a partir da série Cartografias Mentais, tema este que tenho vindo a desenvolver desde 2010.
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Cartografias mentais e pintura como pensamento: aproximações entre Ricardo Almeida e Gilles Deleuze
Propõe-se uma análise da série “Cartografias Mentais” do artista Ricardo Almeida, explorando suas afinidades conceptuais com a filosofia de Gilles Deleuze. Argumenta-se que a prática artística do artista não se limita à representação, mas opera como um processo activo de pensamento visual, alinhado às noções deleuzianas de cartografia, rizoma e devir. Através de citações diretas de Deleuze (Deleuze & Guattari), procura-se evidenciar a potência criativa e conceptual da pintura como expressão da subjetividade contemporânea.
Na arte contemporânea, não é incomum encontrar propostas que se colocam como mapeamentos do pensamento, como registos visuais de estados mentais em fluxo. A série “Cartografias Mentais”, insere-se nesse contexto ao propor uma pintura que mais do que representar ideias ou imagens, as produz.
Cartografia: mapeamento de intensidades
Para Deleuze e Guattari, cartografar não é reproduzir uma realidade já dada, mas traçar os caminhos do desejo, do pensamento, das forças que atravessam o sujeito. Nas suas palavras: “O mapa é aberto, conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, suscetível a modificações contínuas. Pode ser rasgado, invertido, adaptado a qualquer tipo de montagem, explorado por vários regimes de signos” (DELEUZE; GUATTARI, 1995, p. 20).
A pintura de Ricardo Almeida, ao propor um mapeamento subjetivo e fluido do pensamento, realiza exatamente essa ideia de cartografia: uma superfície viva, onde formas, linhas e cores organizam um campo de forças e não um objeto. A tela não é um espelho, mas um espaço de produção.
Rizoma e composição visual
Outro conceito central à filosofia deleuziana que encontra eco na obra do autor é o de rizoma: uma estrutura não hierárquica, não linear, feita de conexões múltiplas. As composições “Cartografias Mentais” são rizomáticas: sem centro, sem direção única, sem começo ou fim, elas se expandem em todas as direções.
“Qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado a qualquer outro, e deve sê-lo. […] Um rizoma não começa nem acaba, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo” (DELEUZE; GUATTARI, 1995, p. 27).
As obras de Ricardo Almeida, como rizomas visuais, estabelecem um espaço de pensamento em acto, onde o espectador também pode-se perder, conectar, descobrir sentidos.
Pintura como acto de pensamento
Para Deleuze, a arte não representa, ela cria. Em O que é a filosofia? (1992), afirma-se que o artista cria “blocos de sensações“, e que a arte pensa por meio de afetos e perceptos. A sua pintura é um desses blocos: ela faz pensar, não porque comunica um conteúdo, mas porque propõe um regime de sensação.
“A arte não \e\ comunicativa. A arte não é feita para se comunicar, mas para experimentar” (DELEUZE, 2006, p. 151).
Ao relacionar a série “Cartografias Mentais” com a filosofia de Deleuze, vemos como a prática pictórica de Ricardo Almeida se inscreve numa abordagem conceptual da arte como processo, pensamento visual, e produção de subjetividade. Trata-se de uma pintura que não representa estados mentais, mas os cria e cartografa, oferecendo ao espectador não uma imagem, mas um caminho.




